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Cacau da Amazônia abastecerá indústria de chocolates finos

Publicado em 26 de Junho de 2014.

Acordo comercial entre pequenos produtores de cacau de São Félix do Xingu e Indústria Brasileira do Cacau prevê a entrega 150 toneladas do produto .

 
Um grupo de pequenos produtores de cacau de São Félix do Xingu, no Pará, embarcará de agora até o mês de outubro o equivalente a uma carga de cento e cinquenta toneladas do produto para a Indústria Brasileira do Cacau – IBC, localizada no interior paulista. O acordo comercial de R$ 1 milhão foi firmado no início do mês e é apenas o primeiro de uma série de negócios que os agricultores da região devem fechar com a indústria de chocolates finos.
 
No ano passado, a pedido do IMAFLORA – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola, o cacau da região de São Félix passou pelo crivo de testes profissionais, entre eles o da Indústria Brasileira de Cacau – IBC e da Cacau Show. Aprovado como um cacau de Tipo 1 – destinado à fabricação de chocolates especiais –, o produto ganhou destaque na vitrine nacional e internacional e começou a atrair compradores.
 
Apoiadas pelo IMAFLORA, a CAMPPAX – Cooperativa Alternativa Mista de Pequenos Produtores do Alto Xingu e a ADAFAX – Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Familiar do Alto Xingu entenderam que trabalhar juntas traz bons negócios. A cooperativa comercializa, por safra, em média 2000 toneladas de cacau. O projeto com apoio do IMAFLORA tem o patrocínio da Petrobras desde 2013 e participa do Programa Petrobras Socioambiental, um dos instrumentos da política de responsabilidade social da companhia.
 
Sombra e água fresca – Com sistemas de produção agroflorestais, os cacaueiros são plantadas à sombra de outras espécies e ajudam a recuperar áreas degradadas. “O cacau recompõe a paisagem nativa, favorece a regeneração da floresta e a recuperação de fontes de água limpa, ao mesmo tempo em que gera significativa renda ao produtor”, explica Marcos Fróes Nachtergaele, do IMAFLORA.
 
Ele explica que por ser nativo da Amazônia, o cacau desfruta na região de ambiente ideal para crescer, principalmente pela abundância de água e as defesas naturais contra o ataque de pragas, o que reduz a aplicação de fungicidas. 
 
Os frutos apresentam a tonalidade avermelhada, aroma frutado, mais nutrientes e manteiga na quantidade exata. As técnicas de cultivo com podas constantes e o processo de beneficiamento (quebra dos frutos, fermentação ideal e seleção das amêndoas) agregam ainda mais qualidade ao cacau produzido em São Félix.
 
Nachtergaele coordena o apoio aos agricultores familiares na recomposição das matas ciliares, áreas florestais, reservas legais e auxilia na interpretação do novo Código Florestal, para que os proprietários possam se adequar ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). O especialista acredita que a organização das famílias em cooperativas, a adequação socioambiental das propriedades e o domínio de tecnologias apropriadas ao manejo do cacau fazem com que os pequenos produtores sintam-se motivados a permanecer nas áreas rurais, criando condições para o surgimento de cadeias produtivas sustentáveis.
 
Estabelecer e fortalecer os elos dessas cadeias são parte do trabalho do IMAFLORA na região. Com a cultura cacaueira que floresce em São Félix, as grandes indústrias começam a se aproximar. E elas querem grande quantidade de matéria prima de alto padrão. Mas já começam a exigir também que o produto seja “correto” do ponto de vista socioambiental, explica a especialista do IMAFLORA. O cacau desses produtores de São Félix cumpre todos esses requisitos.
 
“O importante dessa iniciativa é a estratégia de ganha – ganha. Nós do IMAFLORA fizemos a aproximação de uma cooperativa de agricultores familiares (CAMPPAX) de São Félix do Xingu interessados na agregação de valor do seu cacau junto com uma empresa focada na produção de matéria prima para chocolates (IBC), gerando ganhos a todos os elos da cadeia”, destaca Eduardo Trevisan Gonçalves, da área de Projetos de Mercados Agrícolas, do IMAFLORA. 
 
Sobre o IMAFLORA 
 
O IMAFLORA (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) é uma organização Não Governamental brasileira, sem fins lucrativos, que trabalha desde 1995 para promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais, gerar benefícios sociais nos setores florestal e agropecuário e reduzir os efeitos das mudanças climáticas. Saiba mais em www.imaflora.org 
 
Sobre o projeto Florestas de Valor
 
O projeto Florestas de Valor existe para fortalecer as cadeias de produtos florestais não madeireiros, disseminar a agroecologia e conservar a floresta em três regiões do estado do Pará: na Calha Norte do rio Amazonas, na Terra do Meio e no município de São Félix do Xingu. O projeto apoia a implantação de sistemas produtivos responsáveis, conecta extrativistas e empresas na lógica do mercado ético e busca sensibilizar a sociedade para o consumo consciente de produtos florestais e para a conservação dos recursos naturais. Saiba mais em www.imaflora.org/florestasdevalor 

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