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Papai Noel é Superstar

Publicado em 25 de Novembro de 2014.
Foto: Alessandro Maschio

Há 15 anos, publicitário se veste de Papai Noel cantor e emociona famílias no interior de São Paulo

Ao conhecer a história do publicitário Bruno Fernandes Chamochumbi, imagina-se que ele tem muito mais do que 32 anos. Ainda mais quando ele se caracteriza da personagem que hoje é praticamente parte da sua personalidade: o Papai Noel, fantasia que veste para alegrar crianças e adultos desde os 15 anos de idade.
 
Desde 2000, o publicitário comanda o projeto de sucesso Casa de Noel, que propõe o resgate da simbologia natalina por meio de shows do Papai Noel cantor, acompanhado da Panetone Banda, montada especialmente para o projeto.
 
Neste ano, o projeto de shows natalinos completa 15 anos e estreia nova jornada: a busca pela nacionalização. Da região de Piracicaba (SP), a intenção de Bruno é levar o projeto às capitais brasileiras.
 
História e motivação
´´Eu sou de uma família com veia artística e sempre fui incentivado a criar´´, conta o publicitário. ´´Todo final de ano, minha família sempre fazia um presépio vivo e nós inventávamos teatrinhos. Eu fiz teatro e nunca fui tímido diante de uma plateia´´, completa.
 
A história de Bruno com Papai Noel começou quando ele tinha 15 anos, em 1997. ´´Comecei me vestindo de Papai Noel e atuando em algumas lojas do comércio local. No ano 2000, surgia a Casa de Noel. Era resultado de um sonho que eu transformei em proposta com a ajuda da minha tia Rê Fernandes, que era professora de design e cinema com bastante experiência em projetos. ´´Eu queria mais que um Papai Noel comercial. Queria resgatar o espírito do Natal. Queria ser um Papai Noel que levasse alegria e entretenimento de qualidade para as pessoas´´ , enfatiza o publicitário.
 
Com um estusiasmo contagiante, Bruno conseguiu a adesão de amigos ao seu projeto, que disponibilizaram um imóvel antigo da família, localizado na principal rua do comércio de Piracicaba, para a implantação da Casa de Noel. Logo, arquitetos e designers de interiores foram mobilizados, parceiros comerciais foram aderiando à proposta e a Casa de Noel virou realidade em 2000, como a primeira mostra de arquitetura e decoraçao da cidade até então. ´´Era um local onde o Papai Noel recebia os mais de 12 mil visitantes que passaram por lá´´, conta Bruno.
 
Nos anos seguintes, a Casa de Noel se transformou num projeto cultural e acontecia na sede da Società Italiana, instituição para a qual contribuiu na restauração.
 
Hoje, o projeto consiste nos shows do Papai Noel cantor em diversos pontos turísticos e culturais de Piracicaba e região (este ano os shows acontecem também em Nova Odessa, Águas de São Pedro e Campinas), acompanhado da Panetone Banda. “Há também uma casa e a fábrica de brinquedos do Papai Noel decoradas por alunas do curso de design de interiores do Senac, que poderá ser visitada até 24 de dezembro”, conta Bruno.
 
ENTREVISTA
Na entrevista abaixo, Bruno fala das emoções que o Bom Velhinho tem proporcionado a ele nos últimos 15 anos.
 
Qual foi o momento mais emocionante na sua interpretação de Noel?
Ah, pergunta difícil... São muitos. Geralmente me sinto num transe, totalmente envolvido pela personagem. E, além de tudo, eu canto acompanhado por uma banda, o que é incomum neste tipo de atuação.Em 2010, minha mãe morreu no mês de março. Ainda em dezembro, eu estava muito abalado, pois além de tudo ela era grande entusiasta do projeto.Naquele ano eu cheguei a perder a voz, de tanto estresse.Cantando no show da Società Italiana, que é o último da temporada, senti a presença dela e não consegui parar de chorar. Ela dizia que eu resolvi fazer o Natal das pessoas feliz porque os nossos já tinham sido muito tristes (meu pai faleceu em 8 de dezembro de 1986).Eu choro muito enquanto canto. Me sinto tocado. Uma das músicas que mais me faz chorar é Natal Todo Dia, do Roupa Nova.
 
As crianças sempre pedem muitas coisas para Noel. O que uma criança te pediu que mais te tocou?
O que mais toca é as crianças pedirem saúde de forma tão sincera. É de arrepiar ver uma criança pedindo algo que provavelmente ela sentiu a falta, daí é que ela valoriza. São crianças muito sensíveis e que exalam bondade. Para mim, verdadeiros exemplos para todas as idades.Uma vez, recebi uma carta de uma criança que queria um panetone, em Barra do Piraí. Mas ela alertava o Papai Noel que ele só chegaria se fosse a cavalo. Ela viu uma matéria num jornal, sobre o projeto.
 
O seu Noel é diferente. Ele canta, dança, representa... O que isso toca mais na criança?
A possibilidade dela subir ali um dia, no palco. Sem dúvida é a humanização de uma personagem tão forte, que estampa embrulhos de presente, revistas, comerciais de TV, produtos, enfim, tudo quase sempre muito comercial. Quando a criança percebe que ele virou um artista, que ele canta as coisas que ela conhece, brinca com o pai dela, chega de helicóptero, charrete ou carro; que ele ri e faz rir, que ele pergunta sobre a vida dela ou comenta da novela, ela percebe que está próxima e se anima por pensar que ela pode ser artista junto com ele, que tudo aquilo é para ela. Que ele é artista porque faz o bem, fala coisas boas, busca a cultura de paz e dá valor ao que traz amor.
 
O que é essencial ter dentro do coração para ser um Noel perfeito?
Humildade, amor e sentir o ritmo da música, viver a emoção. Para poder olhar no olho, fazer um carinho no rosto das crianças e adultos, se sentir um pai mesmo, um ‘pai de todo mundo’, aquele tiozão que a gente ama na nossa família. Eu tenho dois tios assim, eu tenho um avô assim, eu tenho primos assim. É essencial ter, portanto, esse espírito paternal, aquele pai que chora junto, que abraça, que não tem vergonha de beijar seus filhos no rosto, que é firme quando precisa. Aquele pai que gosta da mesa cheia, que tem orgulho da prole e que gosta de comida, música, dança e amigos.Pra ser Papai Noel de verdade tem que ter a sua história, que tem uma pitada de superação, determinação e sonho. Que não liga para o que vão pensar ou dizer, que acredita naquilo que gosta. Tem que ter bom humor, vencer o cansaço e o calor e não querer mudar algumas regras do jogo: Papai Noel pode até usar bermuda, mas não é assim que as pessoas o imaginam. E essa história de que não é um símbolo brasileiro é besteira. Afinal, a maioria das pessoas gosta dessa magia.
 
Lembra da primeira criança que te tocou? Como foi?
Me lembro das crianças que se tornaram símbolos das milhares de crianças que passaram nessa história, crescendo junto com o projeto. A Giulia nasceu dentro do projeto. A nossa atriz e cantora Mamãe Noel tinha nove anos quando a mãe dela participou da primeira edição de nosso projeto. Quantas crianças e quantas histórias…
 
O que mudou 15 anos depois?
Tudo. Só não mudou o amor que sinto por isso, meu coração de criança e a certeza de ter contribuído com a formação de crianças com lembranças realmente felizes. Agradeço pela oportunidade.
 

 

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