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Papai Noel é Superstar

Publicado em 08 de Novembro de 2017.

Há 18 anos, publicitário se veste de Papai Noel cantor e emociona famílias no interior de São Paulo

 

Ao conhecer a história do publicitário Bruno Fernandes Chamochumbi imagina-se que ele tem muito mais do que 35 anos. Ainda mais quando ele se caracteriza do personagem que hoje é indissociável de sua personalidade: o Papai Noel, fantasia que veste para alegrar crianças e adultos desde os 15 anos de idade. 
Desde 2000, o publicitário comanda o musical de sucesso Casa de Noel, que propõe o resgate da simbologia natalina por meio de shows itinerantes do Papai Noel cantor, acompanhado da Panetone Banda, montada especialmente para o projeto.
 
Neste ano, o projeto de shows natalinos prossegue sua jornada em busca da nacionalização. Estará em 8 cidades paulistas, incluindo um show no Campo de Marte, em São Paulo. De Piracicaba-SP, a intenção de Bruno é levar o projeto às capitais brasileiras no ano que vem.
 
História e motivação
Eu sou de uma família com veia artística e sempre muito incentivado a criar, inventar, desenhar, escrever e atuar. No fim do ano minha família sempre fazia um presépio vivo e eu me lembro que inventávamos teatrinhos. Eu fiz teatro e nunca fui tímido com platéia, para falar em publico. 
 
Ser Papai Noel é entrar num mundo de magia, aquele mundo que quando eu era criança eu tinha e mesmo hoje, com mais de 30 anos, ele volta ao meu cotidiano. Comecei minha história como Papai Noel aos 15 anos, em 1997. No ano 2000 surgia a Casa de Noel, graças à minha insistência com a família, para que me ouvissem, para que ouvissem minhas ideias de montar um lugar para celebrar o natal, com musica e alegria, um lugar montado para as pessoas visitarem e encontrarem o Papai Noel e os outros símbolos do natal. Não era todo mundo que se dispunha a embarcar comigo nesse trenó dos sonhos. Mas minha mãe, que sempre nos incentivou a acreditar no Papai Noel (inclusive levando nossas cartinhas ao bom e velho "Papai Noel de Shopping" na época em que moramos em Santos). Minha tia Rê Fernandes, que era professora de design e cinema com bastante experiência em projetos, me dizia: "Bruno, isso é um projeto maravilhoso. Não desista".
 
 Até que em 2000 chegamos lá, com a parceria dos amigos Juliano, Cris e Mauricio. Eles toparam fazer uma casa dedicada ao natal. Hoje o projeto refere-se aos shows do Papai Noel cantor em diversos pontos turísticos e culturais de cidades paulistas. Neste ano temos shows em Americana, Águas de São Pedro, Santos, Campinas, Campos do Jordão, São José dos Campos, Guararema e São Paulo, sempre com a Panetone Banda. 
 
Quando entro no personagem, ofereço às pessoas o meu melhor, devolvendo todo o amor que recebi de minha família ao mundo. Eu conto histórias, incentivo as pessoas a refletirem sobre o amor ao próximo e vivenciarem uma forma diferente de solidariedade. Ser Papai não é dar coisas, mas sim sentimentos às pessoas. Eu me entrego à possibilidade de doar alegria. Acho importante as ações de natal que visam doar alimentos, produtos de higiene, brinquedos e cestas de natal, isso é muito importante. E acredito que podemos acrescentar a esta lista solidária a alegria, tão relativa para quem recebe, mas tão importante para os dias de hoje, pois é cada vez mais raro que ela seja doada. Alegria se tornou um produto coletivamente mais difícil de conquistar, pois ela ainda depende de políticas publicas, não é palpável como uma cesta de natal.
 
É impressionante o volume de noticias ruins que batem a nossa porta. Por isso acredito que resisti nesses anos todos. Confesso que não foi fácil, porque tem algumas pessoas que não entendem essa iniciativa, ainda pensam que é um trabalho para ganhar dinheiro e feito com os moldes de um shopping, onde fico sentado ouvindo os pedidos, tirando fotos e fazendo ho ho ho. Por exemplo, depois de 18 anos, na minha cidade, onde nasceu o projeto, não teremos um show neste ano. Santo de casa não faz milagre. 
 
Costumo dizer que ser Papai Noel não é minha profissão, mas faço isso de forma profissional. As pessoas passam o ano perguntando se a minha esposa é a Mamãe Noel. Eu acho engraçado, porque na maioria das vezes elas nunca viram minha atuação e nem imaginam que contratamos atrizes e cantoras para atuarem nos shows.
 
O que me fez resistir foi exatamente o fato de ter criado um bom velhinho especial, que canta, dança, conta historias e foca sua energia na desconstrução dos elementos comerciais que norteiam a figura do Papai Noel. Pra mim, ser Papai Noel é unir-se ao coro multireligioso que anuncia o nascimento de Jesus salvador, sem apelar para a religião mas com clareza que o mundo PRECISA ser um lugar melhor para vivermos. Mas precisa ter gente com coragem de enfrentar um certo desdém por manifestações artísticas diferentes e diferenciadas, que na sua essência existem exatamente para perseverar e fugir do convencional, alcançando uma tradição. Acredito que este seja o nosso caso. O nosso formato não veio de uma referência, ele se criou com o passar dos anos.
 
É impressionante para mim pensar que nestes 18 anos de apresentações fizemos parte da vida de tantas crianças. Pense comigo que uma criança que tinha 3 anos quando fizemos a primeira Casa de Noel, em 2000, hoje é um adulto! Fico feliz com a riqueza de detalhes que ela vivenciou por todos esses anos. Fazer parte dessa memória é um grande presente e responsabilidade que aceito humildemente.
 
Hoje eu acho isso muito interessante, porque comecei tudo quando era um adolescente cheio de sonhos. Continuo sendo um cara cheio de sonhos. Me formei publicitário. Casei. Tenho três filhos, tenho uma empresa com funcionários e muitos colaboradores e parceiros. Tudo mudou. Mas se mantém em mim aquela luz que não sei nem explicar direito. Me tomo de uma emoção inexplicável, parece que eu aumento de tamanho. Meu coração lembra desses anos como um filme e a troca se torna uma energia infinita.
 
Não tem quem não solte um sorriso ao ver Noel e sua turma cantando.
Durante os shows trazemos à vida dos expectadores dos shows uma personagem universal, secular, que resiste ao tempo e a tantas verdades que o mundo quer impor. É um pouco de "fuja da rotina, esqueça de sua idade e de seus problemas. Você já foi criança". Tem uma musica cantada pela Adriana Calcanhoto no álbum Partimpim que diz nomes célebres de nossa história, nos lembrando que eles também foram criança e tiveram pai e mãe. 
 
É isso que nossos shows procuram mostrar, uma vontade de sonhar sem se importar com a discussão da existência ou não do Papai Noel. Ele existe a partir do momento que está ali, bonito, bem caracterizado, cantando musicas do Rei Roberto, MPB ou tradicionais de natal.
 
Ser Papai Noel não impede que eu seja um bom profissional, que seja sério quando necessário. Talvez seja este o sentimento de quem se caracteriza de palhaço.
Passo o ano todo fazendo muitas coisas, projetos e trabalhos que nada têm a ver com o Papai Noel. Mas obviamente fiquei muito conhecido por isso e também recebo muito carinho.
 
Como eu disse, representar essa figura é um ato de extrema responsabilidade. Além de todo o profissionalismo exigido (e que infelizmente é raro nessa 'categoria', já que a maioria das pessoas faz sem vocação, vontade e com interesse financeiro), ser Papai Noel exige muita responsabilidade. Começando pelo que se diz, pelo que se canta, pela caracterização. Cabelinho preto saindo pra fora, maquiagem desajeitada, falta de acessórios, consumo de álcool e drogas, entre outros são mais do que incompatíveis com a função. Infelizmente muita gente não se prepara para isso.

- Qual foi o momento mais emocionante na sua interpretação de Noel?
Ah, pergunta difícil. São muitos. Como eu te disso, geralmente me sinto num transe, totalmente envolvido pela personagem. E além de tudo, eu canto acompanhado por uma banda, o que é incomum neste tipo de atuação.
Em 2010, minha mãe morreu no mês de março. Ainda em dezembro, eu estava muito abalado, pois além de tudo ela era grande entusiasta do projeto. 
Neste ano eu cheguei a perder a voz, de tanto stress.
Cantando no show da Societa Italiana, que é o último da temporada, senti a presença dela e não consegui parar de chorar. Ela dizia que eu resolvi fazer o natal das pessoas feliz porque os nossos já tinham sido muito tristes (meu pai faleceu em 8 de dezembro de 1986, dia de São Nicolau).
Eu choro muito enquanto canto. Me sinto tocado. Uma das que mais me faz chorar é a "Natal Todo dia", do Roupa Nova.
 
- As crianças sempre pedem muitas coisas para Noel. O que uma criança te pediu que mais te tocou?
O que mais toca é as crianças pedirem saúde de forma tão sincera. É de arrepiar ver uma criança pedindo algo que provavelmente ela sentiu a falta, daí é que ela valoriza. São crianças muito sensíveis e que exalam bondade. Para mim, verdadeiros exemplos para todas as idades. Uma vez, recebi uma carta de uma criança que queria um panetone, em Barra do Piraí. Mas ela alertava o Papai Noel que ele só chegaria se fosse de cavalo. Ela viu uma matéria num jornal, sobre o projeto.
 
- O seu Noel é diferente. Ele canta, dança, representa... O que isso toca mais na criança?
A possibilidade dela subir ali um dia, no palco. Sem dúvidas é a humanização de uma personagem tão forte, que estampa embrulhos de presente, revistas, comerciais de TV, produtos, enfim, tudo quase sempre muito comercial. Quando a criança percebe que ele virou um artista, que ele canta as coisas que ela conhece, brinca com o pai dela, chega de helicóptero, charrete ou carro; Que ele ri e faz rir, que ele pergunta sobre a vida dela ou comenta da novela, ela percebe que está próxima e se anima por pensar que ela pode ser artista junto com ele, que tudo aquilo é para ela. Que ele é artista porque faz o bem, fala coisas boas, busca a cultura de paz e dá valor ao que traz amor.
 
- O que é essencial ter dentro do coração para ser um Noel perfeito?
Humildade, amor e sentir o ritmo da música, viver a emoção. Para poder olhar no olho, fazer um carinho no rosto das crianças e adultos, se sentir um pai mesmo, um "pai de todo mundo", aquele tiozão que a gente ama na nossa família. Eu tenho dois tios assim, eu tenho um avô assim, eu tenho primos assim.
É essencial ter, portanto, esse espírito paternal, aquele pai que chora junto, que abraça, que não tem vergonha de beijar seus filhos no rosto, que é firme quando precisa. Aquele pai que gosta da mesa cheia, que tem orgulho da prole e que gosta de comida, musica, dança e amigos.
 
Pra ser Papai Noel de verdade tem que ter a sua historia, que tem uma pitada de superação, determinação e sonho. Que não liga para o que vão pensar ou dizer, que acredita naquilo que gosta. Tem que ter bom humor, vencer o cansaço e o calor e não querer mudar algumas regras do jogo: Papai Noel pode até usar bermuda, mas não é assim que as pessoas o imaginam. E essa história de que não é um símbolo brasileiro é besteira. Afina, a maioria das pessoas gosta dessa magia.
 
- Quando você se vestiu de Papai Noel pela primeira vez? Por que? O que sentiu?
Com 15 anos, eu senti que podia abrir um canal de comunicação diferente com o publico. Foi, naturalmente, para ganhar meu dinheirinho para comprar uma bicicleta. Mas aquilo foi me incomodando. Quis fugir do comercial para desenvolver aquilo artisticamente, cenicamente, teatralmente. E não parei mais de aperfeiçoar. Quero sempre melhorar a barba, a maquiagem, o enchimento, os modelos de roupas, a voz (preparo vocal e fonoaudiológico), o repertório. 
 
- Lembra da primeira criança que te tocou? Como foi?
Me lembro das crianças que se tornaram símbolos das milhares de crianças que passaram nessa história, crescendo junto com o projeto. 
 
- O que mudou 18 anos depois?
Tudo. Só não mudou o amor que sinto por isso, meu coração de criança e a certeza de ter contribuído com a formação de crianças com lembranças realmente felizes. Agradeço pela oportunidade.
 

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